26 de Setembro de 2011

 
Amici, Salvate!

                                                                    

            

 

 

       Os EUA na década de 50 e no início dos anos 60, quando os sindicatos ainda eram fortes e a chamada guerra fria estava no auge, tinham, por força das circunstâncias, de provar que eram melhores do que a URSS. Foi a época do Ela queria um vison, filme que contava a história de uma dona de casa, cujo marido, operário, ganhava o suficiente para manter o lar going. Muito ao gosto das fitas americanas da época, ela passava o dia com uma avental de folhos, imaculadamente branco e engomado, com um sorriso na cara e coleccionava visons em casa para o casaco. Não me lembro se chegou a fazê-lo deste modo ou se o marido, com um prémio de bom trabalho, conseguiu comprar-lhe o dito. Tudo côr-de-rosa a Ocidente! O cinzento Macartismo estava escondido por trás. A maioria ou não o via ou achava bem. Afinal havia o perigo Russo!

 

       E havia a esperança da segunda casa para todos. A casa de fim-de-semana! Alguns chegaram a tê-la. Os russos entraram na corrida, tal  como os americanos entraram na corrida dos foguetões. Os soviéticos davam dachas para o descanso merecido do operário, mas parece que, de facto, só mereciam estas cottages os membros do partido. Além Atlântico, os que desenvolviam "actividades anti-americanas" também não tinham segunda casa simplesmente porque eram presos e, em muitos casos, condenados à morte. So much for freedom!

 

       As décadas passaram e o Ocidente, com a ajuda de Sua Santidade o Pio João Paulo II, homem muito progressista, que proibia o uso de preservativos, em plena época de expansão da Sida, usando a sua propaganda e também os podres interiores dos países socialistas, conseguiu derrubá-los. E nasceu o capitalismo selvagem. Os sindicatos perderam a força. Já não é preciso mostrar, aqui no Ocidente, que somos melhores do que os outros. Com os árabes, a história é bem diferente, São, na sua maioria, povos pobres, fáceis presas, prestes a pilhagens selvagens destes cruzados americano-britânicos.

 

       Benditos comunistas! Sem vós, já não é preciso dar a segunda casa aos trabalhadotres do Ocidente para provar a nossa superioridade económica. Nem é preciso sequer dar a primeira. Podem dormir na rua. Os ricos, por seu lado, podem, à laise, ficar cada vez mais ricos, em montantes impossíveis de se usufruir, por simples vaidade de serem os mais ricos, num bárbaro desfile de plumas sobre o sangue dos pobres - A Bloody Vanity Fair!    

 

 

Valete

 

Raulus Antonius

 
 
 
 
 

 
 
 
  
 
publicado por Raúl Mesquita às 00:50 link do post
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Meu querido amigo Raul, o Mesquita
Na época da guerra fria em que americanos queriam mostrar ao mundo que eram melhores do que os russos, que o capitalismo era mais saudável que o comunismo, a propaganda foi feita pelo cinema americano que mostrava a vida feliz e abastadas de todos os americanos com casa própria, automóvel, férias e no frigorífico, sempre pronto a comer, um frango assado mais a odiosa tarte de maçã, mas sempre com o cuidado de esconder os negros. Enganaram o mundo criando a ideia do ELDORADO AMERICANO e enganaram-se a eles próprios.
O ELDORADO AMERICANO passa a fazer parte do imaginário do resto do mundo, o paraíso a alcançar, a aceitação do capitalismo como uma inevitabilidade para se subir na vida. A ideia atravessa o Atlântico e tende a varrer a solidariedade europeia, os povos deixam-se engolir pela febre do dinheiro fácil, e tendem a voltar as costas ao social, a ignorar o mais desfavorecido, a cultivar um egoísmo desenfreado, como se o mundo só fosse dos fortes, ai dos vencidos. As desigualdades deixam de ter significado. Desde que eu tenha, os outros que lixem.
O ELDORADO AMERICANO engole povos e nações, é a globalização que dele vai depender. Só se engorda depois de eles engordarem. As economias só crescem depois de eles terem crescido, e quando resvalam levam tudo consigo. NINGUÉM SE FICA A RIR!
Augusto Dias a 6 de Outubro de 2011 às 17:26
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