06 de Outubro de 2009

A propósito de um post de hoje, da Rita Ferro, "O acaso é, talvez, o pseudónimo de Deus, quando não quer assinar" (Théophile Gautier), ocorreram-me os seguintes pensamentos:

 

Assinar ou não assinar, é esta a questão?

 

A frase é, sem dúvida, muito bonita. Deus assina, mostra, revela, indica...! Inversamente, por um lado, os judeus não podem pronunciar o Seu nome secreto, por outro, os cristãos abusam do "Ai Meu Deus!" E assim temos, muito resumido, o problema de Assinar e de Balbuciar.

 

Falar das relações teológicas entre o judaísmo e o cristianismo, só será possível num ensaio, longo demais para um blog. No entanto, levanto uma ponta do Véu de Maya. O problema prende-se com o da didícil conciliação da Justiça com a Bondade. Serão porventura compatíveis, como habilmente Santo Anselmo de Aosta quis demonstrar?

 

Gostariam de dar uma achega?

 

 

publicado por Raúl Mesquita às 17:13 link do post
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A ideia de que só se pode negar aquilo que existe, é, com todo o respeito, um absurdo. Neste momento eu nego que exista uma bomba atómica invisível no meu colo, visto que nada me indica que a tenha, e mesmo que não soubesse que a tinha, pois não posso realmente *provar* que não a tenho, negaria a sua existência. Porquê? Porque a teoria do senso comum é comparativamente muito mais plausível...
Não se pode provar um negativo, um negativo não tem suporte, é a ausência.
Ou talvez o seu argumento se prenda com o de Santo Anselmo: Se achamos que existe deus, então isso teve que vir de qualquer lado. Pois veio, provavelmente de alguém com sintomas de epilepsia, ou do desejo humano de ligar causas a efeitos e desejar ter um ente protector:

http://www.youtube.com/watch?v=LNSe4Ff57n4&feature=PlayList&p=0B1C6B69B86553C4&playnext=1&playnext_from=PL&index=30

Quanto aos conceitos de justiça e bondade, deus não é nenhum ente. QUando digo Deus, digo universo, como Einstein. Portanto não podemos nunca saber o que vai na sua mente muito menos que lados toma. tudo isso são coisas que vêm de nós. A justiça e a bondade não são conceitos opostos. Será que é justo matar um assassino com problemas mentais? Será que é justo cortar a mão a um ladrão paupérrimo? Será justo aplicar uma pena igual a quem se tem arrependido dos seus crimes? A justiça pode ser imparcial, mas por vezes pode adquirir nuances daquilo que é a condição humana. A justiça é o bem.
GuiMarquito a 14 de Fevereiro de 2010 às 14:20
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