30 de Novembro de 2009

 

Salvate Amici!

  

                

 

               

 

                

 

 

 

 
 

                    

 Luísa Rosa de Aguiar, meio-soprano portuguesa, nasceu em Setúbal em 9 de Janeiro de 1753, filha de um professor de música e instrumentista, que passou a viver em Lisboa com  a família em 1765. Luísa estreou-se no teatro musicado aos catorze anos, no Teatro do Bairro alto, onde o seu pai trabalhava como músico. Estreou-se no Tartufo, de Molíère. Com uma irmã cantou em óperas cómicas.

 

 Casou-se em 1769 com o violinista napolitano e seu grande admirador Francesco Saverio Todi, que lhe deu o apelido e a fez aprender a canto com o compositor David Perez, Mestre de Capela da corte portuguesa. Deve-se ao marido o seu aperfeiçoamento vocal e a dimensão internacional que a levariam a todas as cortes da Europa. Em 1770 começou a sua carreira como cantora de ópera no Il Viaggiatore Ridicolo, de Giuseppe Scolari, no Teatro do Bairro Alto.

 

 A sua estreia na corte de D. Maria I deu-se em 1771. Cantou no Porto entre 1772 e 1777, quando partiu para Londres para actuar no famoso King's Theatre, o que lhe valeu a  aclamação da crítica, ainda que o público londrino não tenha sido muito entusiasta: "Mrs. Luísa Todi possesses high merit as singer and as actress." (A Senhora Luísa Todi tem um grande talento enquanto cantora e actriz.).  Em 1778 cantou nos Concerts Spirituels em Paris, seguindo-se Versalhes. Foi considerada a maior cantora estrangeira que alguma vez pisara um palco francês. Em 1780 foi aclamada em Turim no Teatro Régio tendo assinado um contrato como prima-dona. Neste ano já era considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre. Brilhou na Alemanha e na Áustria em 1781, voltando a Paris para os Concerts Spirituels, onde, desta vez, dividiu o público por rivalizar com a cantora alemã, o soprano Gertrud Elisabeth Mara (1749 - 1833). Mas Luísa Todi saiu vencedora nesta querela, ficando conhecida pelos franceses como "A Cantora da Nação!" 

 

 Em 1784 deslocou-se a São Petersburgo, na Rússia, onde deu o seu primeiro concerto nesta cidade com a Armida e Rinaldo, de Giuseppe Sarti. Catarina II-a-Grande, de tal modo ficou impressionada com a voz de Luísa Todi, que lhe ofereceu duas pulseiras de brilhantes. Por sua vez, Luísa Todi e o seu marido Francesco Todi escreveram a ópera Pollinia, que dedicaram à Imperatriz. Permaneceu na corte russa até 1788, acumulando, com o seu mérito, presentes fabulosos de Catarina-a-Grande.

 

 Em 1788 Luísa Todi estava em Berlim na corte de Frederico II da Prússia. No ano seguinte, regressou a Paris para uma terceira temporada dos Concerts Spirituels,  sendo aclamada pela crítica como "a maior cantora do seu tempo." Voltou à Prússia umas escassas semanas antes do início da Revolução Francesa.

 

 Em 1790 fez uma tournée pela Alemanha e cantou em Bona onde Beethoven a ouviu. No final do ano deslocou-se a Veneza para cantar no Teatro di San Samuele, na ópera La Didone Abbandonata, usando como adereços um diadema, um colar e brincos de diamantes que lhe tinham sido oferecidos por Catarina II. 

 

 Em Veneza a temporada de 1790/1791 ficou conhecida pelo nome de "O Ano da Todi". Infelizmente, durante a estada nesta cidade começou a ter problemas com a visão, facto que a obrigou a deixar o palco durante alguns meses. Escreveram-se, de imediato, poemas em sua honra!

 

 Entre 1792 e 1796 cantou em Madrid no Teatro de los Caños del Peral, mas em Abril de 1793 veio a Portugal. Foi preciso obter uma autorização especial para poder cantar pois nesta altura em Portugal, tal como nos Estados Pontifícios, as mulheres não podiam pisar o palco, deixando, no Teatro, o travestismo aos homens e, na ópera, os papéis femininos a cantores castrattiEm Lisboa cantou por ocasião do nascimento de uma infanta filha do Príncipe Regente, o futuro D. João VI. Como de costume, somos, já éramos, negativos em relação aos nossos talentos, dando o laureato apenas aos medíocres. Esta récita foi insuficientemente publicitada e a Família Real não esteve presente.

 

 Em 1799 terminou praticamente a sua carreira em Nápoles. Regressou a Portugal e cantou ainda no Porto em 1801.

 

 Luísa Todi enviuvou em 1803, vestindo-se de luto até à sua morte, em 1833. Viveu no Porto, onde viria a perder as suas valiosíssimas jóias no trágico desastre da Ponte das Barcas, por ocasião da sua fuga às Invasões Francesas em Portugal pelos exércitos de Napoleão em 1809. Luísa Todi e a sua família foram presos, mas o General Soult, reconhecendo nela "A Cantora da Nação", protegeu-a. Depois viveu em Lisboa, desde 1811 até ao final da vida, parece que com algumas dificuldades e cega. Já em 1823 se encontrava completamente cega.

 

 Morreu no dia 1 de Outubro de 1833, na sua casa perto da Igreja de São Roque, depois de ter tido uma trombose uns meses antes. Foi enterrada no cemitério da Igreja da Encarnação em Lisboa. Este cemitério deixou de existir porque se construíram prédios por cima, na Rua do Alecrim. Apesar da insistência de melómanos e da sua família, a verdade é que uma das maiores cantoras portuguesas de sempre repousa por entre os escombros de uma cave soterrada. Antes de morrer teve a felicidade de conhecer o seu talento imortalizado no livro de Antoine Reicha Traité de la mélodie, onde Luísa Todi é apelidada de "Cantora para a Eternidade."   

 

 Setúbal, a sua cidade natal, não a esqueceu tendo-lhe erigido um monumento com a sua efígie  e dando o seu nome à principal avenida da cidade e em Lisboa, em 1917, foi dado o nome de Rua Luísa Todi à rua em que viveu nos últimos tempos da sua vida, perto de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, a São Roque.

 

 A grande Luísa Todi tinha, dizem os testemunhos da época, a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão, dando uma ênfase extraordinária aos papéis que desempenhava.

 

Valete.

 

Raulus Antonius.

 

 

publicado por Raúl Mesquita às 00:50 link do post
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28 de Novembro de 2009


 

 

Amici, Salvate! 

 

Escrevo mais de noite, de todas as formas, em todos os sítios. Aqui, nos meus romances, nas minhas memórias, onde quer que eu esteja. O silêncio ajuda-me. O único som que tolero é o musical. Mas agora mesmo nem desse preciso. Preciso, sim, da vossa companhia. Não sei se todos Vós vos sentis tão solitário como eu. É difícil medir, compreendo. Gosto de estar com pessoas, de falar, de rir, de ficar em fotografias, mas no fim fica um vazio, uma solidão que só convosco, leitores por enquanto anónimos, sei partilhar.

 

A escrita, diz-se, é um acto solitário. É. Creio que não há escritores felizes, isto sem entrar em controvérsias académicas sobre o que é "a felicidade". Sei que me dá prazer escrever como me dá prazer ouvir música do século XVIII e trabalhar sobre ela.

 

Considerem este desabafo como uma prova da minha amizade por vós.

 

 

 

Bom sábado!

 

Valete.

 

Raulus.

 

 

publicado por Raúl Mesquita às 01:48 link do post
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25 de Novembro de 2009

 

Amici, Salvate!

 

Hoje não tenho nada para vos dizer, mas talvez seja uma maneira de vos contar alguma coisa. Humm..., olha, lembrei-me: um exemplo da minha escrita de ficção, para aqueles que ainda não tiveram o deleite de a apreciarem (podia dizer LOL ou "risos", mas para quê, para ser o Tartufo, de Molière?) Segue:

 

   

 

- Minha Senhora, chegou uma primita minha da terra. Nunca veio a Lisboa. Posso voltar mais tarde hoje? Bem, ... é que... é que eu gostava de a levar à Comédia para ela ver coméqué.
 
- E onde vai ficar essa tua prima?
 
- Em casa da minha tia.
 
- Qual?
 
- A do Rossio.
 
- A que vive nas águas-furtadas por cima da loja de tecidos a metro?
 
- Sim, Minha Senhora.
 
- Bem, está bem.
 
- Muito obrigado, Minha Senhora.
 
- Olha, vai ao meu quarto e vê se a minha bolsa de cetim está em cima do canapé aos pés da cama. Trá-la.
 
.... ...
 
- Estava, estava, Minha Senhora.
 
- Ai, onde é que pus o porte monnaie? Sim, aquela bolsinha de prata... O lorgnon, a caneta, o pó de arroz, o rouge à lèvres...ah, está aqui! Olha, Cecília, toma lá isto mas não é para gastares mal, é para convidares a tua prima para um café durante o intervalo. E.... não venhas muito tarde. Quero-te aqui às dez horas o mais tardar. E nada de falar com homens. Domingo à noite e, ainda por cima, na Comédia...
 
- Está bem, Minha Senhora, não se preocupe. A minha prima é idónea...
 
- Aonde é que foste buscar essa palavra? Por que é que encarniças? O que fizestesss?
 
- Ai, Minha Senhora, é que eu... é que eu li um bocadinho daquele livro que Senhora está a ler...
 
- Hum, está bem. Mas devias ter pedido licença. Valeu a pena ter corrigido a tua escrita. Eu trato bem as criadas.
 
- Eu sei, Minha Senhora. Já estou cá há oito anos.
 
- És quase como Família, eu sei. Mas falas um bocadinho demais com o moço de fretes do lugar...
 
- Ai, Minha Senhora, que a minha alma caia já aqui! Eu não sou dessas!
 
- Bem, mudemos de assunto. E aquele teu tio que tem o restaurante das iscas no Largo da São Domingos, nunca mais ouvi falar dele?
 
- Ó Minha Senhora, não é que ele andava com duas mulheres ao mesmo tempo!
 
- O quê?
 
- Desculpe, Minha Senhora, mas é verdade.
 
- Não quero que o voltes a ver. Mas... o que é isso tinha a ver contigo?
 
- Eu sou amiga da minha amiga. A Celeste é boa piquena e ele tinha-le prometido em casamento. Ma s aquela lamb'sgóia  da Virgínia quis roubar-le o meu tio Inácio.
 
-Lambisgóia?
 
- Desculpe, Minha Senhora, é uma maneira de dizer.

 

 - Está bem, continua.

 

- Então, eu no Domingo passado, faz hoje oito dias, fui ter com a Celeste e disse-le: Ai Celeste, não é que o Inácio, hein, hein... o Ti Nácio tem outra! Digo-te isto porque sou muito tua amiga. Ai, Minha Senhora, chorou tanto...

 

- Bem, acho que procedestesss mal, ó Cecília. Quando se gosta de uma pessoa não se faz intrigas. Mas, enfim, tu és uma criada, não podes saber estas coisas. Olha, vai lá, mas volta às dez o mais tardar.

 

- Obrigada, Minha Senhora.

   

 

Sem nada para dizer...?

 

Valete.

 

Raulus

publicado por Raúl Mesquita às 00:11 link do post
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23 de Novembro de 2009

 

 

Salvate Amici!

 

 

 

        

 

É, como disse Kant, pela prática da liberdade que sabemos que somos livres. Do mesmo modo, só pela prática de "blogar" é que conhecemos este novo meio de comunicação.

 

Sou aprendiz, mas já aprendi que nunca se deve entrar em assuntos (to post) que não se dominam,  a não ser "que se seja capaz". Já verão o que quero dizer, Amigos!

 

Há quem use os blogs para se rodear de uma corte mais ignorante do que o próprio autor, para este "brilhar" e encher o ego de nada! Estes são os não capazes. 

 

Há, outrossim, quem use os blogs para trocar de impressões, para aprender e partilhar com os outros o que se sabe. Estes são os capazes.

 

Falando apropriadamente de omelhordosdoismundos, digo: que Deus ajude os não capazes, dando-lhes modéstia; do lado oposto: "não vá o sapateiro além do sapato!"

 

Que os capazes conservem sempre serena consciência da sua superioridade e dever de mestria sobre o mundo; para estes, o outro mundo é o seu íntimo...

 

 

                                                        

 

 

Valete.

 

Raulus Antonius.

publicado por Raúl Mesquita às 15:07 link do post
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22 de Novembro de 2009

 

 

 

publicado por Raúl Mesquita às 01:01 link do post
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17 de Novembro de 2009

Amici, vejam:

 

http://www.youtube.com/watch?v=oJEqJ9yALx8

 

Valete.

publicado por Raúl Mesquita às 02:16 link do post
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16 de Novembro de 2009

Salvate Amici!

 

 

                                                                                                 

 

A Família é a célula de repressão política por excelência. Ao longo dos tempos, o Poder tem apregoado o seu alto valor, coadjuvado pelas Igrejas. Atenção, não falo de A Religião, mas das religiões, com as suas mais do que discutíveis morais. É no seio da Família que se exerce a repressão e que se treinam os futuros cidadãos a terem medo e  a obedecerem. Platão percebeu bem o perigo humano desta célula; quis por-lhe termo. Os Espartanos, por razões bélicas, reduziram substancialmente o seu poder. Lenine percebeu o instrumento repressivo que é a Família. Mas, mais cedo ou mais tarde, todos abdicaram desta intenção, tal o peso da tradição apoiado e explorado pelos governos e pelas religiões, apelidando de ditatoriais os regimes que se propuseram a educar os jovens retirando-os à Família quando estes já não necessitavam das mães e dos pais.

 

Sem promover, de forma alguma, o incesto, creio que devemos compreender a sua essência. Tal como um homem de fortes convicções endoideceu ao ver bruitalizar um cavalo em Praça Pública (refiro-me, evidentemente, a Friedrich Nietzsche), a "gota-de-água" que fez transbordar toda a sua revolta causada pela incompreensão de que era alvo, também nas famílias mais tensas (mais lúcidas?) a procura da destruição da célula familiar acontece com o incesto.

 

 

Esta sim, é Amor e não Poder!

 

Valete.

 

Raulus Antonius.

publicado por Raúl Mesquita às 18:40 link do post
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16 de Novembro de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=V9Urs4URuTk

 

Brotherly Love!

 

Raulus or Unruly Ruly!

publicado por Raúl Mesquita às 06:40 link do post
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16 de Novembro de 2009

Mary Lou!

 

http://www.youtube.com/watch?v=tnlWWb7AFZ8

 

See you!

publicado por Raúl Mesquita às 06:05 link do post
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16 de Novembro de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=5qz94yveXgQ

 

E eu que julgava (dançava: "dois para a esquerda, um para a direita") que esta era a música que se dançava! Mas era. Ao fim destes anos, parece-me tudo um bocado Country West! Ralado, são 5:38 e continuo a ouvir.

 

 

 Fats Domino - Blueberry Hill

 

Raulus Antonius.

publicado por Raúl Mesquita às 05:33 link do post
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